Entendendo o TDA (Transtorno do Déficit de Atenção) e o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade)
A gente costuma olhar muito para a criança que dá trabalho.

Aquela que levanta, que fala, que não para, que interrompe.
Essa chama atenção. Essa mobiliza a escola. Essa gera ação.
Mas tem um outro tipo de criança que precisa tanto de cuidado quanto, e muitas vezes passa completamente despercebida.
É aquela criança quieta.
Que não incomoda.
Que não chama.
Que fica ali… mas também não se coloca.
E é aqui que mora um ponto importante:
nem toda criança que “não dá problema” está bem.
Muitas vezes, ela não apresenta hiperatividade, mas também não sustenta atenção, não participa, não se engaja de verdade no processo de aprendizagem.
Quando se fala em TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), muita gente ainda pensa só na criança agitada.
Mas existe um outro perfil: o desatento.
Aquele que se perde fácil, que não termina o que começa, que se distrai, que vai ficando para trás… mas sem fazer barulho.
Antigamente se falava em TDA como algo separado.
Hoje a gente entende que isso faz parte do mesmo quadro: há formas diferentes de apresentação dentro do TDAH.
Esse perfil mais desatento é, muitas vezes, o mais negligenciado.
Porque ele não “desorganiza” a sala.
E, sem perceber, o ambiente começa a reforçar isso:
aceita respostas pela metade, ajuda antes da hora, reduz a exigência.
E essa criança aprende uma coisa perigosa:
funcionar no mínimo.
Aí entra um erro muito comum: achar que o diagnóstico resolve.
Não resolve.
Diagnóstico não ensina.
Diagnóstico não organiza ambiente.
Diagnóstico não constrói repertório.
O que realmente muda o caminho dessa criança é outra coisa:
É olhar para ela de verdade.
Levantar uma linha de base clara.
Entender:
o que ela já faz sozinha,
o que ela só faz com ajuda,
onde estão as dificuldades,
onde estão as potencialidades.
É isso que organiza o ensino.
É isso que permite avançar.
Sem pular etapa.
Sem exigir além do que ela consegue naquele momento.
Mas também sem deixar ela parada.
Degrau por degrau.
Porque, às vezes, ela vai demorar mais.
E tudo bem.
O que não pode é ela ficar invisível dentro do processo.
No final das contas, a pergunta mais importante não é:
“Ela tem diagnóstico?”
A pergunta é:
Ela está aprendendo de forma funcional dentro da escola?
Dra. Elizabeth Crepaldi
Fonoaudióloga | Analista do Comportamento QBA
CEO Interclínicas
