Flexibilidade no Autismo: o que muita gente chama de “rigidez” 

Muita gente chega até nós dizendo: “meu filho é muito rígido”. A gente entende o que isso quer dizer, mas tecnicamente, não é bem isso que pode estar acontecendo. O que muita gente chama de “rigidez”, pode ter relação, na verdade, com a falta de exercitar a flexibilidade no autismo.

Na prática, o que vemos é um controle muito restrito de estímulo e uma baixa variabilidade comportamental. Ou seja: a criança aprende, sim. Mas aprende de um jeito só. E quando alguma coisa muda, e isso é fácil de acontecer na vida real, tudo desorganiza.  

A “rigidez” no autismo aparece no dia a dia de formas muito claras: a criança que só faz se for daquele jeito, que aprendeu uma coisa, mas não consegue usar em outro contexto, que se perde quando a regra muda, ou que se frustra quando o mundo não responde como ela espera.  

E aqui tem um ponto importante: isso não é teimosia, não é “birra”. É falta de repertório para lidar com mudanças. Aprender não é só acertar, aprender é conseguir variar.

 E é exatamente aí que a gente entra. Na Interclínicas, a gente não trabalha só para a criança responder certo. A gente trabalha para que ela não dependa de um único jeito de fazer.

Para isso, a gente muda o formato, muda o material, muda a ordem, muda o contexto, apresenta vários exemplos e ensina a criança a lidar com situações diferentes.

E, o mais importante: coloca em grupo. No grupo, a criança vê o outro fazendo diferente, errando, acertando de outro jeito. E isso amplia muito o repertório, faz diferença.  

Quando você trabalha só no individual, muitas vezes parece que está indo bem, mas a verdade é que você não tem parâmetro. No grupo, não.

No grupo, fica evidente: quem está variando, quem está preso, quem consegue adaptar, quem não consegue. Neste contexto, a “rigidez” no autismo perde espaço e a flexibilidade começa a aparecer de verdade.

A gente também ensina relações importantes: igual, diferente, antes, depois, maior, menor — mas não como conteúdo escolar. Sim, como forma de organizar o pensamento.

A gente ensina, principalmente, a criança a tolerar mudança com segurança, porque a vida não é previsível.

Então, não. Seu filho não é “rígido”. Ele só ainda não aprendeu a variar.

Isso, com intervenção certa, a gente ensina.
 

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