Este não é um artigo bonito. É um artigo que cutuca, expõe e sutenta.
O desenvolvimento técnico existe, dói e dá trabalho. Ninguém nasce sabendo. Isso vale para gestão, vale para clínica, vale para medicina, vale para qualquer área da saúde.
Quem disser que não aprende errando está mentindo.
O que muda é como a gente lida com isso. É entender qual é o nosso escopo de prática real, o que de fato podemos assumir, até onde podemos ir sem prejudicar o aprendiz. Mas também é reconhecer que, muitas vezes, a gente pega o aprendiz e aprende com ele.

Isso não é falta de ética. Falta de ética é fingir que sabe o que não sabe. É esconder dúvida. É não estudar. É não buscar supervisão.
A ética real está em reconhecer que o nosso escopo de prática é pequeno — e justamente por isso exige compromisso permanente com estudo, revisão e atualização.
E é aí que OBM entra de novo, de forma concreta. Porque não basta aplicar OBM no faturamento. Foi nosso grande desafio. Mas também aplicamos OBM no processo técnico, dentro da equipe.
Você começa como equipe multiprofissional. Depois vira interdisciplinar. Em alguns momentos, consegue ser transdisciplinar. Mas você sempre trabalha com pessoas diferentes, com formações diferentes, com histórias diferentes — e, principalmente, com níveis diferentes de disposição para estudar.
Nem todo mundo tem a mesma gana de estudo. Eu sou uma pessoa estudiosa. Sempre fui. Mas a empresa não pode depender da exceção. A empresa precisa tornar o comportamento de estudar um comportamento presente no sistema.
Estudar não pode ser virtude individual. Tem que ser contingência organizacional.
E talvez essa seja uma das maiores funções reais do OBM: não controlar pessoas, mas construir sistemas onde aprender deixa de ser opção e passa a ser parte do trabalho.
Escrito por Dra. Elizabeth Crepaldi
Fonoaudióloga | Analista do Comportamento
Doutora em Educação – UNICAMP
CRF: 3331-2 | QBA nº 18846
